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29 novembro, 2010

Os flocos de carinho...



Havia uma pequena aldeia onde o dinheiro não entrava. Tudo o que as pessoas compravam, tudo o que era cultivado e produzido por cada um, era trocado. A coisa mais importante, a coisa mais valiosa, era o amor.

O carinho era simbolizado por um floquinho de algodão. Muitas vezes, era normal que as pessoas trocassem floquinhos sem querer nada em troca.
As pessoas davam seu carinho pois sabiam que receberiam outros num outro momento ou outro dia.

Um dia, uma mulher muito má, que vivia fora da aldeia, convenceu um pequeno garoto a não mais dar seus floquinhos. Desta forma, ele seria a pessoa mais rica da cidade e teria o que quisesse.

Iludido pelas palavras da malvada, o menino, que era uma das pessoas mais populares e queridas da aldeia, passou a juntar carinhos e em pouquíssimo tempo sua casa estava repleta de floquinhos, tornando-se até difícil de circular dentro dela.

Então, quando a cidade já estava praticamente sem floquinhos, as pessoas começaram a guardar o pouco carinho que tinham e toda a harmonia da cidade desapareceu. Surgiram a ganância, a desconfiança, o primeiro roubo, o ódio, a discórdia, as pessoas discutiam pela primeira vez e passaram a ignorar-se pelas ruas.

Como era o mais querido da cidade, o garoto foi o primeiro a sentir-se triste e sozinho, o que o fez procurar a velha para lhe perguntar se aquilo fazia parte da riqueza que ele acumularia. Não a encontrando mais, ele tomou uma decisão.

Levou consigo todos os seus floquinhos e caminhou por toda a cidade distribuindo aleatoriamente o seu carinho. A todos dava carinho, apenas dizia:

"Obrigado por receber o meu carinho."
Assim, sem medo de acabar com seus floquinhos, ele distribuiu até o último carinho sem receber um só de volta. Sem que tivesse tempo de sentir-se sozinho e triste novamente, alguém caminhou até ele e deu-lhe carinho.

Um outro fez o mesmo... Mais outro... e outro... até que definitivamente a aldeia voltou ao normal.

(desconheço autor)

15 novembro, 2010

O tic-tac do relógio


Era uma vez um relógio que precisava de conserto. Veio o relojoeiro.
       O relógio disse-lhe:
       - Por favor, senhor relojoeiro, não me conserte. Estou cansado de uma vida tão monótona. Imagine que tenho de estar dia e noite a repetir o mesmo movimento e a mesma música: tic-tac, tic-tac... Se me conserta, imagine os milhões de "tic-tac" que tenho de fazer. Uma monotonia insuportável!
       O relojoeiro disse-lhe:
       - Amigo relógio, é esse "tic-tac" que te mantém em vida e te faz útil aos outros, dando-lhes as horas, os minutos e os segundos. É como o bater do coração das pessoas! Por isso, aceita essa monotonia como fazendo parte do teu viver. Não queres viver?!
       Respondeu o relógio:
       - Sim, quero!
       O relojoeiro, como bom amigo, aconselhou-o:
       - Então faz do teu "tic-tac" uma bela música a alegrar os teus dias e a alegrar o mundo.

O nosso quotidiano, por vezes tão monótono, pode ser colorido com a música do amor.

in Revista Juvenil, Outurbo 2010, n.º 539.