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27 janeiro, 2011

A lição do Ratinho

Esta fábula é fantástica! O que é ruim para alguém pode ser ruim para todos...




Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali. Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos: - Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa! A galinha disse: - Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda. O rato foi até o porco e disse: - Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira! - Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranquilo que o Sr. Será lembrado nas minhas orações. O rato dirigiu-se à vaca. E ela lhe disse: - O que? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não! Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que tinha apanhado. No escuro, ela não viu que na ratoeira estava a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher...


O fazendeiro levou-a imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre. Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal. Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco. A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.



Moral da História: Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que quando há uma ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco. O problema de um é problema de todos!

15 novembro, 2010

O tic-tac do relógio


Era uma vez um relógio que precisava de conserto. Veio o relojoeiro.
       O relógio disse-lhe:
       - Por favor, senhor relojoeiro, não me conserte. Estou cansado de uma vida tão monótona. Imagine que tenho de estar dia e noite a repetir o mesmo movimento e a mesma música: tic-tac, tic-tac... Se me conserta, imagine os milhões de "tic-tac" que tenho de fazer. Uma monotonia insuportável!
       O relojoeiro disse-lhe:
       - Amigo relógio, é esse "tic-tac" que te mantém em vida e te faz útil aos outros, dando-lhes as horas, os minutos e os segundos. É como o bater do coração das pessoas! Por isso, aceita essa monotonia como fazendo parte do teu viver. Não queres viver?!
       Respondeu o relógio:
       - Sim, quero!
       O relojoeiro, como bom amigo, aconselhou-o:
       - Então faz do teu "tic-tac" uma bela música a alegrar os teus dias e a alegrar o mundo.

O nosso quotidiano, por vezes tão monótono, pode ser colorido com a música do amor.

in Revista Juvenil, Outurbo 2010, n.º 539.

19 maio, 2010

PAZ PROFUNDA

     Havia um Rei que ofereceu um grande prémio ao artista que fosse capaz de captar em uma pintura a Paz Profunda.
     Muitos artistas apresentaram suas telas.
     O Rei observou e admirou todas as pinturas, mas houve apenas duas de que ele realmente gostou e teve de escolher entre ambas.
     A primeira era um lago muito tranquilo. Este lago era um espelho perfeito onde se reflectiam plácidas montanhas que o rodeavam. Sobre elas encontrava-se um Paraíso muito azul com ténues nuvens brancas.
     Todos os que olharam para esta pintura pensaram que ela reflectia a Paz Profunda.
     A segunda pintura também tinha montanhas. Mas estas eram escabrosas e estavam despidas de vegetação. Sobre elas havia um Paraíso tempestuoso do qual se precipitava um forte aguaceiro com relâmpagos e trovões. Montanha abaixo parecia retumbar uma espumosa torrente de água. Tudo isto se revelava nada pacífico.
     Mas, quando o Rei observou mais atentamente, reparou que atrás da cascata havia um arbusto crescendo de uma fenda na rocha. Neste arbusto encontrava-se um ninho. Ali, em meio ao ruído da violenta turbulência da água, estava um passarinho placidamente sentado no seu ninho... Em Profunda Paz!

     O Rei escolheu a segunda tela e explicou: — PAZ PROFUNDA não significa estar em um lugar sem ruídos, sem problemas, sem trabalho árduo para realizar ou livre das dores e das tentações da encarnação. PAZ PROFUNDA significa que, apesar de se estar em meio a tudo isso, permanecemos calmos e confiantes no SANTUÁRIO SAGRADO do NOSSO CORAÇÃO. Lá encontraremos a Verdadeira PAZ PROFUNDA. Em SILENCIOSA MEDITAÇÃO.

11 maio, 2010

A Árvore e a Flor


Uma árvore com vários anos de existência, vivia numa grande planície. Ao seu redor floriam pequenas flores. Uma das flores perguntou um dia à grande árvore:
- Olha lá... sob que luz trabalham os pastores em seus pastos de planícies verdejantes?
- Sob que luz? Que pergunta… – Retorquiu-lhe a grande árvore.
- Sim. Sob que luz? Não poderão trabalhar eternamente na contemplação do sol, das estrelas, do luar, do fogo?
- Trabalham sob a luz do astro Sol. – Respondeu-lhe a grande árvore?
- E quando a luz do sol deixar de existir na terra? – Perguntou novamente a flor.
- Talvez nesse instante se apercebam da sua ausência e tenham que trabalhar à luz do luar, da estrelas, do fogo que arde, da chama que alumia a noite…
A flor como era muito curiosa, estava preocupada pela não comparência dos seus amigos pastores se caso não existisse o sol, o luar, o fogo… algo que lhes pudesse iluminar o caminho. Não queria deixar de poder ver as ovelhas que alegremente nos campos corriam, os pastores que seguiam… Se não existisse luz para os iluminar, que seria de suas vidas. Permaneceriam no vazio, na eterna noite, sem luz, nem guia?
Estando preocupada voltou a questionar a grande árvore:
- E quando nenhuma luz existir?
- Tu és sempre assim. Que perguntas fazes tu pequena flor! Não sei o que respondo é o mais certo. O que penso é o que te digo… Penso que quando o sol, a lua, o fogo e tudo mais que possa ser luz no caminho dos pastores e das suas ovelhas se extinguir, os próprios, terão descoberto a luz que imana de si mesmos. Poderão caminhar com a sua própria luz, a luz da interioridade armazenada. Com a luz que conseguiram armazenar no seu interior enquanto pastoreavam as suas ovelhas, durante anos. Sabes pequena flor, no jardim florido, nos prados verdejantes que a meus pés te colocas, a alegria brotará sempre de cada pastor, de cada ovelha, deles emergem experiências de vidas únicas. Olhares contemplativos que vivem em plenitude! Plenitude que liberta, enche e não esvazia.












(Desconheço autor)

26 março, 2010

Era uma vez…


Era uma vez uma ilha onde todos os diferentes sentimentos viviam:
a Felicidade, a Tristeza, o Saber, o Amor e todos os outros.
Um dia anunciaram aos sentimentos que a ilha ia afundar-se.
Então todos prepararam os seus barcos e foram embora.
Só ficou o Amor.
O Amor queria ficar até ao último momento.
Quando a ilha estava no ponto de afundar-se, o Amor decidiu pedir ajuda.
A Riqueza passou ao lado do Amor num luxuoso barco.
O Amor disse-lhe: “Riqueza podes levar-me contigo?”
“Não porque tenho muito dinheiro e ouro no meu barco.
Não tenho lugar para ti.”

Então o Amor perguntou ao Orgulho, que passava também num barco fantástico. “Orgulho, ajuda-me por favor?”
“Não te posso ajudar Amor. Estás todo molhado e podes estragar-me o barco.”
A Tristeza estava ao lado do Orgulho, então mais uma vez o Amor disse-lhe:
“deixa me ir contigo.”
“Oh Amor, estou tão triste que preciso estar sozinha!”
A Felicidade passou também ao lado do Amor,
mas estava tão feliz que nem ouviu o Amor chamar.
De repente uma voz diz: “Vem comigo Amor, eu levo-te.”
Era um velhote que falava.
O Amor sentiu que devia muito ao velhote e perguntou ao Saber.
“Quem me ajudou?”
“Foi o Tempo, respondeu o Saber”
“O Tempo?” reflectiu o Amor;
“Mas porque me ajudou o Tempo?”
O Saber fez um sorriso e respondeu:
“Porque só o Tempo é capaz de compreender quanto o Amor é importante na vida ”
Autoria: Rodrigo Viana

19 março, 2010

O Crucifixo...




Um homem, numa rua estreita, olhava piedosamente para um crucifixo de madeira
exposto numa montra.
Estava tão atento que, durante alguns instantes, não notou que uma criança estava a
seu lado, também ela a contemplar.
Quando a viu, perguntou-lhe:
-Diz-me meu menino, sabes o que representa esta imagem?
A criança respondeu:
- Claro que sei. É Nosso Senhor. Mataram-no, crucificando-o numa cruz.
O homem felicitou-a:
- Muito bem. Vejo que conheces a vida de Jesus.
A criança respondeu:
- Foi minha mãe que me ensinou. Quando era muito novo, perguntei-lhe quem era
aquela pessoa pregada numa cruz. 
E foi ela que me disse que era Jesus. E ensinou-me a rezar-lhe.
O homem respondeu:
-Estou contente com as coisas que sabes. Adeus.
O homem continuou o seu caminho. Pouco depois sentiu que alguém corria atrás dele.
Olhou para trás. Era a criança. Ao chegar junto dele, parou e disse-lhe:
-Senhor, esqueci-me de dizer o mais importante:  
Jesus foi crucificado. Mas, três dias depois, Ele ressuscitou! 
Está vivo!...

30 janeiro, 2010

Somos assim...



















Somos seres preocupados em agir, fazer, resolver, providenciar. Estamos sempre a tentar planear uma coisa, concluir outra, descobrir uma terceira. Não há nada de errado nisso - afinal de contas, é assim que construímos e modificamos o mundo. Mas faz parte da experiência da vida o acto da Adoração. Parar de vez em quando, sair de si mesmo, permanecer em silêncio diante do Universo. Ajoelhar-se com o corpo e a alma. Sem pedir, sem pensar, sem mesmo agradecer por nada. Apenas viver o amor calado que nos envolve. Nestes momentos, algumas lágrimas inesperadas - que não são nem alegria nem tristeza - podem jorrar. Não se surpreenda. Isso é dom! Essas lágrimas estão a lavar a sua alma...
 
Paulo Coelho