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16 maio, 2010

O Umbigo


A natureza está de parabéns por ter dado a cada ser humano o seu umbigo. O umbigo recorda-nos os primeiros meses da nossa vida, em que dependíamos da nossa mãe. Experiência de protecção, de gozo, de ‘calor’, quase o ‘céu’ na terra. Experiência também de pobreza, de dependência, de falta de autonomia e de liberdade pessoal. Estava-se tão bem dentro do ‘útero’ materno. Talvez por isso o ser humano seja tão obcecado por passar a vida, ou pelo menos parte da vida, a ‘olhar’ para o seu próprio umbigo. Nos momentos de tristeza, de desespero, regressamos frequentemente à contemplação do mítico passado uterino e enrolamo-nos. O umbigo é algo amigável, misterioso, fraternal.
         Nos últimos anos, a moda juvenil pôs os umbigos na rua. E o ser humano reforçou o lado umbilical da sua existência, convencido que não há melhor umbigo do que o seu. Muitas vezes, o factor determinante nas decisões humanas não é nem a inteligência, nem os sentimentos, nem sequer o estômago. O umbigo tem assumido o papel de motor afectivo nas decisões, criando em cada um a ilusão de que o ideal da própria auto-estima é fazer com que todas as coisas e sobretudo as outras pessoas girem em torno de si.
         Olhar de perto o umbigo impede o olhar em direcção aos outros, de conhecer outros e novos mundos. O mundo torna-se pequenino e o horizonte mesquinho. Provavelmente, Deus não imaginava que o ser humano passaria tanto tempo a olhar o seu umbigo e lhe daria tanta importância. Se nos voltasse a criar, desconfio que nos poria o umbigo na testa. Assim teríamos que olhar mais para o umbigo do outro do que para o próprio. E Deus terá umbigo? Arrisco a dizer que não, uma vez que Ele vive a sua existência a olhar não para Si mas para os outros.
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